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Ep. 002·7 mai 2021·54 min

A Tesla dos skates

com Miguel Morgado, Hunter Board

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Sobre esta conversa

Miguel Morgado é co-fundador da Hunter Boards, empresa de skates elétricos fundada em 2019 com três sócios. Antes disso, havia desenvolvido a Axis (motos elétricas) e a Craft Wallet (carteiras mecânicas). Fez parte da lista Forbes 30 Under 30 em Technology e situa-se agora numa fábrica a montar as primeiras unidades de um produto que juntou engenharia mecânica e obsessão pessoal por um problema específico.

A empresa nasceu de um detalhe prático: enquanto testava sistemas elétricos em escala reduzida (antes de lançar uma moto com 1080 baterias), Miguel andar de longboard e caiu repetidamente devido a pequenos buracos na estrada. Descobriu que skates com suspensão existiam, mas pesavam 25-30 kg—quase um kart. Identificou a lacuna: um veículo leve, confortável e seguro para mobilidade urbana. Após dezenas de protótipos, chegou a uma solução independente em cada roda que permite um chassis rígido (capaz de integrar eletrónica internamente) sem sacrificar conforto.

A validação de mercado foi ao contrário do planeado. Começaram em grupos de Facebook (maioritariamente americanos e canadianos) com conteúdo de baixa qualidade, propositalmente—apenas para criar ruído e recolher feedback. O feedback foi duro: críticas sobre material alumínio em vez de madeira, mas também curiosidade genuína. Após três meses de marketing, abriram lista de espera em setembro 2020. Quando disponibilizaram 50 unidades, venderam 30 em 10 minutos e esgotaram o stock em 15 minutos, apesar de PayPal e Stripe bloquearem a conta como provável scam.

Uma decisão difícil surgiu em produção: em novembro, antes de entregar os primeiros 50, a equipa descobriu melhorias críticas (mudança de rodas, motores, geometria de viragem). Decidiram atrasar entregas e reoferecer refunds—chatear clientes agora para não chatear depois. Apenas 5 pediram devolução. Miguel compara a fase inicial com a Craft Wallet, onde 10 microns de diferença numa tolerância fizeram falhar 500 unidades. O conselho prático: a primeira produção é sempre caótica; escala pequena (50 vs. 1000) minimiza dano.

Recusaram propositalmente vender a amigos (clientes mais exigentes e críticos) e focaram-se na comunidade de e-skaters—pessoas que já usam skates diariamente e vêem valor em qualidade. O bottleneck atual é produção, não demanda: 6000 pessoas em lista de espera. O modelo é simples para expansão: cada máquina CNC adicional acrescenta 7 skates/dia. Sobre concorrência, Miguel nota que a Boosted (marca de referência) estagnou quando as especificações de motor e bateria se tornaram commodity; a vantagem agora é dinâmica de veículo—handling, suspensão, estabilidade—um detalhe que ninguém mais está a explorar.

O conselho que daria é montar uma equipa multidisciplinar onde o fim do seu conhecimento é o início do colega—ele na mecânica, Duarte na fabricação, João em conteúdo visual, Pedro em estratégia. As discussões internas com Pedro (área muito diferente) criam mais atrito, mas é esse atrito que traz inovação.


Neste episódio o nosso convidado é o Miguel Morgado, co-Founder e CPO da Hunter Boards, uma startup de skates elétricos. A Hunter Board destaca-se não só pela potência e autonomia, mas principalmente pelo sistema de suspensão, muito semelhante aos dos carros. Esta tecnologia está patenteada e levou-os a uma fila de espera de 6000 pessoas no lançamento da primeira fornada de 50 skates.  O grande objetivo da Hunter é que o skate seja visto como um veículo e estão no bom caminho para o atingir. O Miguel faz parte da lista Forbes 30 Under 30 2021, na categoria de Tecnologia e hoje veio contar-nos algumas das histórias que viveu durante a criação da Hunter.  Aproveitem a viagem connosco! 

Links

Hunter Boards: https://hunterboards.com

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/miguelmorgado1991/

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Hosts: Álvaro Samagaio (https://www.linkedin.com/in/alvarosamagaio/) e Diogo Malafaya (https://www.linkedin.com/in/diogomalafaya/)