O Airbnb dos barcos
com Pedro Lourenço, Sailside
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Sobre esta conversa
Pedro Lourenço é co-founder e CFO da Sailside, uma plataforma de aluguel de barcos que opera em Portugal, Brasil, Espanha e Dubai. Estudou engenharia industrial, trabalhou como consultor no Kaizen Institute e mantém essa função em paralelo — nunca entrou full-time na startup, uma escolha que os investidores questionaram mas que se revelou uma vantagem de flexibilidade operacional.
A Sailside nasceu por acaso: em 2017, o João tentava alugar um barco na Turquia, sentiu o atrito do mercado desorganizado e decidiu testar a ideia com sete barcos no Algarve. Correu bem o suficiente para fundar a empresa em março de 2018. Pedro entrou logo depois, convencido pelo João num programa de startups em Lisboa, com o objetivo de estruturar a operação, desenhar a estratégia e levantar capital. A escolha de não sair dos outros trabalhos não foi negligência: era calculada. "Não fazia sentido estar a pagar salários a uma management team quando todo o dinheiro precisava de crescer a empresa", diz.
O maior insight veio da análise do comportamento real: 98% dos aluguéis incluem skipper (condutor profissional). Isto porque a maioria quer uma experiência, não um barco. O argumento que vende aos donos é concreto — um barco custa anualmente 10% do seu valor e fica parado 92% do tempo. A Sailside oferece rentabilização de um ativo caro. No Brasil, onde não há regulação que exija registo como embarcação alugável, o trabalho foi converter proprietários individuais; em Portugal, já havia empresas de charter esperando novos canais de distribuição.
A estratégia de expansão é deliberadamente defensiva. Em vez de competir com gigantes como Boatsetter e Clickandboat em costas saturadas (França, Itália, Grécia), a Sailside escolheu "mercados de segundo tier" — Brasil sobretudo, onde o potencial é enorme e a estrutura ainda embrionária. O Brasil representa agora a maior fonte de receita, e a ambição é clara: dominar estados específicos (Rio, São Paulo, Santa Catarina, Bahia) para depois serem adquiridos por um desses major players, que eventualmente o Airbnb comprará. É raro um founder admitir isto tão abertamente.
A decisão de levantar capital em pequenas rodadas (a pre-seed foi de 124 mil euros) em vez de rounds gigantes é reveladora da mentalidade. Pedro quer manter custos fixos baixos, estrutura variável, capacidade de pivotar entre desenvolvimento tecnológico e marketing conforme o retorno. Isto funcionou: mesmo com investidores a pedirem full-time, convenceu-os com tração (já tinham vendas positivas) e uma promessa simples — "se conseguimos crescer 300% com recursos limitados, imagina com capital".
A reflexão final é a que mais vale reter: escolher pessoas é mais importante que o produto. A equipa implementa a visão; decisões ruins tomadas depressa cobram custos exponenciais dois anos depois.
Desta vez temos connosco o Pedro Lourenço, Co Founder e CFO da Sailside. A Sailside é, descrita de forma exageradamente simplista, o Airbnb dos barcos. Já atuam em vários mercados fora de Portugal, sendo o brasileiro o maior deles e já levantaram uma ronda de investimento. Para além das funções que desempenha na Sailside, o nosso convidado trabalha ainda como Consultor no Kaizen Institute. Com uma atitude muito business-oriented e uma visão empreendedora, o Pedro tem planos para expandir o seu portfólio para outras áreas, nomeadamente a inteligência artificial. Têm uma visão muito bem definida para o futuro da empresa e que nos deixou intrigados. Ouçam para descobrirem o futuro da Sailside. Garantimos que esta viagem não vos vai fazer enjoar Links LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/pedromlourenco/ Sailside: https://sailside.com/pt Founder Tales Instagram: https://www.instagram.com/foundertalespodcast/ Founder Tales Twitter: https://twitter.com/FounderTalesPod Hosts: Álvaro Samagaio (https://www.linkedin.com/in/alvarosamagaio/) e Diogo Malafaya (https://www.linkedin.com/in/diogomalafaya/)