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Ep. 020·30 mai 2022·25 min

#16 Parte 2 - Mulheres no comando e gerir uma equipa pela primeira vez

com Carolina Amorim, EMOTAI

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Sobre esta conversa

Carolina Amorim é CEO e co-fundadora da EMOTAI, uma startup que desenvolveu uma banda de wearable capaz de medir estados emocionais através de sinais cerebrais e ritmo cardíaco. Começou como programadora, entrou numa aceleradora em 2018, passou pelo Techstars durante a pandemia em 2020, e agora está a preparar a terceira ronda de financiamento com uma equipa de apenas cinco pessoas.

A empresa nasceu de um programa de aceleração em que levantou 100 mil euros e depois acesso ao Techstars Lisboa durante o confinamento. O timing foi paradoxal: enquanto o mundo parava para investimentos, Carolina conseguiu estruturar a startup através de um programa intensivo que funcionou quase integralmente online. A banda saiu do fabrico manual para device ready for manufacturing, pronta para produção em volume — 500 unidades por mês. O modelo é de subscrição: sem o software proprietário da EMOTAI, a banda é apenas um objeto.

Um dos dilemas mais interessantes da conversa é o que fazer com os dados biométricos acumulados. Carolina recusa terminantemente vender dados pessoais, mas vê potencial em dados sintéticos: treinar modelos de machine learning para identificar padrões de doenças neurológicas (como Alzheimer) e partilhar esses insights com hospitais, mantendo os dados brutos dentro da empresa. É uma posição clara sobre privacidade num setor obcecado por monetização de dados.

No tema de mulheres empreendedoras, Carolina expõe o problema com clareza: apenas 4-5% das startups com fundadoras mulheres recebem investimento. Não é discriminação explícita, é unconscious bias — os investidores estão habituados a um certo perfil e simplesmente replicam-no. A solução passa por mais visibilidade, mais mulheres a falar publicamente e programas como o Portuguese Women in Tech. Sobre cotas internas, Carolina é pragmática: gostaria de implementá-las, mas numa equipa de cinco pessoas, contratar apenas mulheres desenvolvedoras tornaria a contratação ainda mais difícil quando a escassez já é real no mercado.

O conselho que gostava de ter recebido no início é também específico do seu género: aprender a marcar posição sem parecer insegura. Pedir ajuda é visto como sinal de liderança num homem, mas pode ser interpretado como falta de confiança numa mulher. A lição foi não apenas ouvir opiniões, mas demonstrar claramente quem toma as decisões.


Segunda parte da conversa com a Carolina!  Nesta parte falamos dos primeiros meses da empresa, de medidas para potenciar a liderança de startups por mulheres e falamos também das dificuldades de gerir uma pequena equipa em crescimento. Se tiverem sugestões de founders, ou questões que queiram ver esclarecidas em futuros episódios falem connosco nas redes sociais, temos todo o gosto em ouvir-vos! Os links estão na descrição, mas não será difícil encontrarem-nos! Se gostarem do episódio partilhem com alguém que saibam que também vai gostar, aproveitem para nos seguirem nas redes sociais, LinkedIn e Instagram e não percam a segunda parte já na próxima semana Links LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/carolina-amorim/ EMOTAI: https://www.emotai.tech Álvaro Samagaio: https://www.linkedin.com/in/alvarosamagaio/ Diogo Malafaya: https://www.linkedin.com/in/diogomalafaya/ Founder Tales LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/foundertales/ Founder Tales Instagram: https://www.instagram.com/foundertalespodcast/ Founder Tales Twitter: https://twitter.com/FounderTalesPod