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Ep. 023·20 jun 2022·35 min

#18 Parte 2 - Obstáculos à escalabilidade e a mentalidade "remote first"

com Nuno Pinto, Coverflex

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Sobre esta conversa

Nuno Pinto é co-fundador e chief business officer da CoverFlex, plataforma de benefits flexíveis para empresas. Começou como CEO nos primeiros 24 meses, passou por liderar vendas em 2021 e agora orienta business development e partnerships — uma fluidez de papéis C-level pouco comum, mas deliberada. A empresa cresceu de zero para quase 2 mil clientes empresariais e 27 mil utilizadores em dois anos.

A CoverFlex enfrenta um dilema de escala que é ao mesmo tempo limitação e oportunidade: o produto depende fortemente da legislação local — os benefícios fiscais e seguros variam por país — o que torna a expansão geográfica complexa. Nuno explica como o modelo foi construído em Portugal, um mercado deliberadamente escolhido por ser simultaneamente difícil (legislação rigorosa) e de fácil validação (network compacta, primeiros clientes próximos).

O papel do lead investor é quase invisível mas crítico. A empresa passou meses a conversar com cerca de 100 investidores antes de fechar com Ben, investidor francês que se tornou quase um quinto co-fundador. Não é apenas capital: é conselheiro semanal, membro do board, e validador de decisões estratégicas. Nuno é claro: "começar a criar algo sólido" exigiu escolher bem este primeiro investidor, não qualquer um que dissesse sim.

A venda é multi-stakeholder por design. Um CFO compra pela poupança fiscal; um VP de Pessoas pela satisfação do colaborador. A CoverFlex enfrenta a complexidade de precisar de aprovação legal, fiscal e operacional — bancos e seguradoras aceitam bem a inovação, mas contabilistas e revisores de contas resistem porque a empresa traz uma "maneira diferente de fazer as coisas" num sector tradicionalmente avesso a disrupção.

Remote-first não foi planeado, foi inevitável. A empresa abriu escritório em Porto a 10 de março de 2020, três dias antes do confinamento. Em vez de regressar, evoluiu para 100% remoto com encontros trimestrais. Nuno reconhece que está "incomparável" a um escritório, mas argumenta que a ligação entre pessoas — e a capacidade de fazer oito a dez reuniões de vendas por dia — compensa. O maior desafio é atrair talento internacional sem a moeda de troca do salário alto ou da localização desejável.

Quando perguntado qual o conselho que gostaria de ter recebido, Nuno responde sem hesitar: valorizar a rede desde o início. "A tua rede é realmente o teu valor." Na CoverFlex, isso não é abstracto — é quem apresenta o contacto certo no banco, quem abre a porta com o parceiro italiano, quem diz "apresenta-me alguém" quando um investidor diz não.


Este episódio é a segunda parte da conversa com o Nuno Pinto, CO-founder e Chief Business Officer da Coverflex. Alguns de vocês  já conhecerão a Coverflex, ou tal como nós serão até utilizadores e por isso estarão familiarizados com os seus flex benefits e subsidio de alimentação. Para quem não conhece, a Coverflex é uma startup que apresenta uma solução digital para melhorar a qualidade e facilitar o acesso e controlo da compensação que as empresas dão aos seus colaboradores. A Coverflex levantou a maior pre-seed de uma startup portuguesa: 5M de euros para lançarem o seu produto e escalarem para vários mercados. Neste episódio abordamos temas como os obstáculos à escalabilidade, as responsabilidades de um CBO e a mentalidade remote first que é característica da Coverflex.

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