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Ep. 032·13 mar 2023·47 min

#24 Pt 1 - Uma perspetiva diferente sobre delivery apps

com Rui Rocha Costa, EatTasty

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Sobre esta conversa

Rui Costa é co-fundador e CEO da EatTasty, empresa de delivery de refeições que começou em 2015 inspirada por um filme sobre o sistema de dabbawala indiano. Sem formação em restauração nem logística de comida, aproveitou essa ignorância inicial como vantagem competitiva — a falta de conhecimento do sector significava ausência de limitações mentais sobre o que era "impossível" fazer.

O ponto de viragem foi uma conversa de domingo com Miguel Santamaro que se estendeu por horas, rodeado de pessoas com experiência real (Humberto no board, André Jordão antes da Barking). Quando começou a analisar números do food delivery global em 2015-2016, viu uma incoerência: como é que refeições de 20 dólares podiam ter custos de entrega de um dólar? A resposta era que ninguém estava a ganhar dinheiro. Isso levou à arquitectura atual da EatTasty.

A maior diferença operacional é o modelo de antecipação: enquanto concorrentes recolhem comida por encomenda (impactando o serviço do restaurante), a EatTasty produz baseada em forecast, uma semana antes. Os restaurantes cozinham no período vazio, antes de abrir as portas — capacidade humana e técnica que existia mas estava ociosa. O risco de previsão errada é integralmente assumido pela empresa, não pelo restaurante. Isto reduz desperdício de 10-13% para 2-3%.

A segunda diferença invisível são as rotas agrupadas: um estafeta entrega 10 a 20 refeições numa única passagem (inspirado pelo sistema de cores e códigos das marmitas indianas), em vez da abordagem uma-a-uma. Isto permite um custo de entrega eficiente sem explorar mão de obra — problema estrutural que torna a entrega de comida insustentável em países ocidentais. A terceira é o produto adaptado à realidade de consumo: sem ossos, sem faca, comida que aguenta 30 minutos de transporte. Tudo desenhado para quem almoça à secretária, não no restaurante.

O modelo tem limitações que definem o público: pré-encomenda até às 11h45 para almoço, menu publicado na semana anterior. Não há on-demand, há planeamento semanal — e isto acabou por ser um diferencial durante a pandemia, quando as empresas fecharam e o cliente migrou, mas a flexibilidade de mudar local de consumo dia a dia manteve-se. Custos crescentes de matérias-primas forçaram ajustes de preço (nunca taxa de entrega), e o modelo B2B inicial — vendendo às empresas, que depois convertem colaboradores — mostrou-se mais eficiente que aquisição de clientes um a um.

O verdadeiro concorrente não é a Glovo ou Uber Eats: é o restaurante ao lado do escritório, o carro para ir almoçar fora, ou a marmita que se leva de casa.


Neste episódio conversamos com o Rui Costa, founder da EatTasty, uma empresa de food delivery com uma abordagem diferente das que nós conhecemos. Falamos sobre como surgiu a ideia, como a maturou e a visão que tem para este mercado de delivery Sigam-nos nas redes sociais linkedin, twitter, instagram e tiktok, subscrevam no youtube e partilhem o episódio para nos ajudarem a chegar a mais gente  Podem apoiar-nos em https://www.patreon.com/foundertales   Links:  LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/ruirochacosta/ EatTasty: https://eattasty.pt  Álvaro Samagaio: https://www.linkedin.com/in/alvarosamagaio/   Diogo Malafaya: https://www.linkedin.com/in/diogomalafaya/    Founder Tales LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/foundertales/   Founder Tales Instagram: https://www.instagram.com/foundertalespodcast/   Founder Tales Twitter: https://twitter.com/FounderTalesPod   Founder Tales TikTok: https://www.tiktok.com/@foundertales Patreon: https://www.patreon.com/foundertales