#28 Parte 1 - Como funciona um fundo de investimento VC
com Alexandre Santos, Chamaeleon
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Sobre esta conversa
Alexandre Santos começou em 2000 com quioscos multimédia em Felgueiras, passou por Sapo e APT como diretor financeiro, mas encontrou o verdadeiro interesse em venture capital quando criou um programa de incubação dentro da PT — ali compreendeu que o futuro passava por apoiar startups, não por controlá-las. Essa curiosidade levou-o a co-fundar a Ganexa Capital com dois sócios em 2009, ainda durante a crise financeira, um fundo de business angels que investia sobretudo em Portugal. A trajectória inclui também a fundação da Bright Pixel enquanto partner da Sonae.
O núcleo da conversa desta primeira parte é destilar como funciona um fundo de venture capital — a estrutura, os atores, o dinheiro. Um fundo típico tem 10 anos e funciona assim: a maior parte do capital vem de limited partners (investidores institucionais, family offices, indivíduos ricos) que confiam a equipa gestora para aplicar esse dinheiro em startups. Nos primeiros 4 a 5 anos investe-se ativamente; nos restantes, desinveste-se e acompanha-se o portfólio até aos exits — vendas que devolvem retorno. A equipa de gestão coloca 1 a 2% do capital próprio (chamado "skin in the game") e recebe ~2% ao ano em management fees para cobrir custos operacionais. A estrutura é clara: o fundo é o veículo de investimento; a management company é a firma que funciona no dia a dia.
Um detalhe crítico: ao contrário do que muitos fundadores pensam, o fundraising de um fundo é mais difícil que o de uma startup. O fundo não tem MVP, cliente ou receitas — apenas pessoas e uma tese. Por isso, escala importa. Em Portugal, um bom fundo levanta 20 a 50 milhões; em Silicon Valley, o mínimo hoje é 50 a 100 milhões. A Chamaeleon, o fundo atual de Alexandre (co-fundada com o Nuno Sebastião e a Ssongi), levantou 75 milhões — um dos maiores com DNA português, embora não seja grande à escala californiana.
A diferença competitiva da Chamaeleon está na strategy: enquanto 95% dos fundos de VC em todo o mundo investem menos de 100 mil euros por ano em tecnologia própria, a Chamaeleon construiu uma "startup dentro do fundo". Mapeiam mais de 2 milhões de startups, analisam centenas de milhares com scores quantitativos, e veem mais de 10 mil startups por ano — entre 10 a 20 vezes acima da média. Isto permite não apenas reagir a inbound, mas ir proativamente atrás de empresas interessantes. É um modelo oposto ao tradicional de "esperamos que os bons fundadores venham bater à porta".
A segunda frente é a rede Clan, um conselho global de advisors seniores (ex-CEOs de big tech, empreendedores seriais) disponível para as startups do portfólio. Enquanto a indústria VC clássica trabalhou muito em redes informais e marca, a Chamaeleon aposta em dados + pessoas estruturadas. O timing foi curioso: lançaram o fundo no início da Covid, totalmente distribuído — têm escritórios em Silicon Valley e Porto, mas gente espalhada por Alemanha, Polónia e EUA.
Alexandre oferece também um conselho prático aos fundadores sobre composição de rodadas: nem sempre é melhor um único investidor grande (poder demasiado concentrado) nem sempre muitos pequenos. O ponto é ter investidores que tragam coisas diferentes além de dinheiro, e manter equilíbrio negocial. Cada investidor é um casamento de vários anos — convém pensar nisso.
Bem vindos mais uma vez a Founder Tales! O teu podcast sobre empreendedorismo em português!
Este episódio é especial mas porque é a primeira vez que trazemos alguém que não é exatamente (também é, mas não só) um Founder! O convidado de hoje é o Alexandre Santos, Partner na Chamaeleon VC, um fundo de investimento de Venture Capital sediado entre o Porto e Silicon Valley que principalmente em early stage e tem um método diferente do habitual.
Nesta primeira parte o Alexandre contou-nos o seu percurso, como chegou à indústria de VC e como esteve relacionado com a fundação de alguns fundos bastante conhecidos como a Bright Pixel.Como é o primeiro VC, falamos também de o que é um fundo, como funciona, o que são LPs e todas essas questões!
Como anunciamos no episódio anterior, estamos a organizar um evento para nos juntarmos e dinamizar o ecossistema aqui do Porto. O primeiro Tales and Beers vai acontecer, no escritório da Rows e vamos ter alguns founders a falar sobre product market fit e uma happy hour com free beer. Registem-se no link abaixo para não perderem o evento! Os bilhetes estão a voar!
Já que estão aqui, não se esqueçam de subscrever o podcast ou o canal, deixar um like ou comentário! Se quiserem ajudar este projeto a crescer e a fazer ainda mais coisas, podem ver as opções que temos no patreon.
Links:
Tales & Beers (evento): https://talesandbeersv1.eventbrite.com Patreon: https://www.patreon.com/foundertales Alexandre Santos: https://www.linkedin.com/in/antscv/ Chamaeleon: https://www.linkedin.com/company/chamaeleonvc/ Álvaro Samagaio: https://www.alvarosamagaio.com Diogo Malafaya: https://www.malafaya.com Founder Tales LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/foundertales/ Founder Tales Instagram: https://www.instagram.com/foundertalespodcast/ Founder Tales Twitter: https://twitter.com/FounderTalesPod Founder Tales TikTok: https://www.tiktok.com/@foundertales