#28 Parte 2 (vídeo) - Como é que um investidor avalia uma startup
com Alexandre Santos, Chamaeleon
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Sobre esta conversa
Alexandre Santos é co-fundador e partner da Camille & VC, e passou por uma carreira de duas décadas em grandes corporações (PT) antes de se lançar no mundo do capital de risco. Trabalhou na Ganexa Capital, depois foi contratado pela Sonai M para estruturar a sua área de investimentos em startups, e co-fundou a Bright Pixel com Celso Martinho — um fundo que combinava venture building com investimento direto em early stage.
A Bright Pixel começou como um laboratório de ideias, com equipa técnica a ajudar fundadores a construir MVPs. Depois evoluiu para um modelo puramente de VC, e a própria Sonai M mudou de marca para incorporar o nome de Bright Pixel. O timing coincidiu com a pandemia, mas o fundo foi estruturado para ser resiliente: levantou capital antes do pico de avaliações de 2021, e agora está a construir portfólio numa altura em que as valorizações caíram, enquanto muitos concorrentes ficaram presos a cheques feitos no topo do ciclo.
Na avaliação de startups, Alexandre descreve cinco dimensões de análise. A primeira é a equipa: em early stage, o fundador pesa mais do que o produto, porque o produto pode mudar e a equipa raramente. O segundo critério é o mercado — se é grande o suficiente, se já está saturado ou se há espaço de diferenciação. Depois vem o product-market fit, medido em métricas concretas: número de utilizadores ativos (em marketplaces), taxa de retenção, revenue por cliente (em SaaS). O quarto é o produto em si e o seu diferencial tecnológico. E por fim, a capacidade de levantar capital futuro — sinal de que outros acreditam no projeto.
As red flags são igualmente explícitas. Fundador em part-time é quase automático "não". Mentir no CV é desqualificante imediato — a Bright Pixel contrata serviços especializados para fazer background checks, o que muitos VCs negligenciam. Ser excessivamente defensivo, recusar feedback, ou estar demasiado diluído na ronda também são sinais de risco. Alexandre admite que a Bright Pixel, em early stage, às vezes fomentava que os fundadores deixassem o emprego: "Olha, lança-te de cabeça e nós damos-te o dinheiro inicial."
Na gestão do portfólio em crise, o tom muda. Quando um investimento corre mal, não há milagres: deixa-se morrer, mas tenta-se sempre minimizar a perda ou pelo menos recuperar o capital investido. O trabalho é dar conselhos certos, não pôr "dinheiro mau atrás do dinheiro mau". Os follow-ons — investimentos adicionais — só devem ir para os winners.
A métrica de sucesso de um fundo é o retorno financeiro, medido em DPI (Distributed Payout Index) e IRR. A média da indústria anda volta do 2x, mas há muitos fundos que não devolvem nem 1x. Bright Pixel aponta para 5x ou superior — um objetivo que os colocaria no top quartile. Há também métricas intermédias, como o TVPI (valor em livros antes de liquidações), que sinalam se as coisas vão bem no meio do ciclo de 8 a 10 anos de um fundo. Alguns LPs valorizam também intangíveis: aprender com o gestor, ganhar exposição a verticais novas, acesso a dados de mercado.
Existem dois conselhos finais que Alexandre deixa. Para futuros VCs: encontrar a sua voz diferenciadora no mercado, porque há uma explosão de fundos que parecem iguais. Para fundadores: não desistir e investir tudo naquilo que acreditam — porque ser fundador é "ser um herói", muito mais duro do que parece. O seu arrependimento pessoal é ter demorado mais de 20 anos numa carreira corporativa antes de se lançar: quanto melhor estamos numa empresa, mais difícil é sair, e o custo de oportunidade cresce. Nada como deixar um legado nosso.
Tales & Beers (evento): https://talesandbeersv1.eventbrite.com
Esta é a segunda parte da conversa com o Alexandre Santos, atualmente Partner na Chamaeleon VC e que ao longo da sua carreira esteve em vários fundos de investimento.
Se ainda não ouviram a primeira parte da conversa, aconselho que o façam antes de ouvir este episódio.
Nesta parte final da conversa focamo-nos no início de vida da Brightpixel, um fundo de investimento associado à Sonae IM e depois tivemos a oportunidade de ouvir o Alexandre explicar o raciocínio por trás da decisão de investimento numa sartup e quais são os critérios mais importantes para maior parte dos VCs. Acabamos a conversa a discutir como se avalia o sucesso de um fundo de investimento.
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Aproveito também para relembrar que o nosso primeiro evento presencial é já esta sexta-feira dia 5 de Maio, a partir das 18h nos escritórios da rows na baixa do Porto. Apareçam, vão ter a oportunidade de ouvir fundadores experientes a falar sobre como se testa uma ideia e mais importante do que tudo vão poder conviver com outros interessados em empreendedorismo. A entrada é grátis e vamos ter cerveja grátis, só têm de se inscrever no link que aparece na descrição.
Mais uma vez, obrigado por estarem desse lado e vamos para o episódio
Links:
Tales & Beers (evento): https://talesandbeersv1.eventbrite.com Patreon: https://www.patreon.com/foundertales Alexandre Santos: https://www.linkedin.com/in/antscv/ Chamaeleon: https://www.linkedin.com/company/chamaeleonvc/ Álvaro Samagaio: https://www.alvarosamagaio.com Diogo Malafaya: https://www.malafaya.com Founder Tales LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/foundertales/ Founder Tales Instagram: https://www.instagram.com/foundertalespodcast/ Founder Tales Twitter: https://twitter.com/FounderTalesPod Founder Tales TikTok: https://www.tiktok.com/@foundertales