"A Universidade já não é uma garantia de bom emprego"
com André Oliveira, Pixelmatters
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Sobre esta conversa
André Oliveira começou numa escola profissional de multimédia, depois de recusar a faculdade (não havia cursos direcionados a design digital em Portugal). Depois de dois anos desempregado durante a crise de 2008, trabalhou em design gráfico e mobiliário antes de fundar Pixelmatters em 2013, aos 23 anos, com um colega freelancer — sem plano de negócio, sem capital levantado, sem intenção de crescer além do necessário.
A empresa nasceu do acaso: um cliente do Ghana com um orçamento de 20 mil euros levou André e sócio a formalizar-se em dezembro, uma semana antes do fim do ano (aproveitando isenção fiscal). Nunca planearam ir além. O crescimento até 60 pessoas hoje foi, nas suas palavras, "o mercado a forçá-los", cliente a trazer cliente, reputação a viajar por palavra de boca. Pixelmatters foca-se em product design e product development para empresas estabelecidas com produtos desactualizados — maioritariamente clientes americanos. Abandonaram o modelo de preço fixo após perder dinheiro sistematicamente; hoje cobram por equipas alocadas ou por hora.
O grande aprendizado veio do Finta, uma app social de futebol que idealizou em 2013. Sem saber programar e sem dinheiro para contratar, conseguiu levantar capital e lançar versões iOS e Android. O problema: a mesma equipa tentava fazer crescer Pixelmatters e Finta em paralelo. "O mindset é diferente", diz André. Abandonou o produto, uma decisão que o arrependeu — mas percebeu que product e serviços exigem culturas opostas. Nunca voltaria a Finta, apesar de ter recursos técnicos hoje, porque Pixelmatters está otimizada para craft, não para growth e marketing.
Nos últimos anos virou LP em fundos como Sheiling, Tiny VC e no Launch de Jason Calacanis, fazendo pequenos angel investments (5-10 mil euros) mais por "dar algo de volta à comunidade" do que por ganho financeiro. Diz sem rodeios: a reputação dos VCs é péssima — "sentas-te à mesa, o gajo destrói a tua ideia, mas tu vês o currículo e pergunta-te: o que é que tu fizeste?" Quer fazer parte de um movimento de founders-virados-LPs que fale sem filtros e sem ganância primária. Uma única office hour com um founder em dificuldade já o satisfaz; qualquer retorno financeiro é "bônus".
Sobre no-code, IA generativa e automação: André vê-as como mudanças de paradigma (equiparáveis a internet e mobile), não como ameaças. A questão é adaptar-se cirurgicamente, não panicar. Pixelmatters está atenta, mas protegida pela complexidade do trabalho que escolhe fazer — nenhuma empresa cotada em bolsa mete um produto feito em Bubble em produção. O risco maior é para startups muito early stage que experimentam com estas ferramentas: aí, sim, a substituição é real.
Bem vindos a mais um episódio de Founder Tales Conversa com o André Oliveira, fundador da Pixelmatters e de outros projetos como o Finta. Para além disso, o André é LP e Business Angel. Primeiro episódio gravado no estúdio novo!
Neste episódio falamos sobre o percurso de vida do André, que não passou pelo ensino superior. Tocamos em alguns dos seus sucessos, falhanços e das razões por trás disso. Ouçam para descobrir como é que ele começou e chegou ao sucesso da Pixelmatters
Links: Comunidade: https://chat.whatsapp.com/LWFpUB0QcjZIvzCuqf4U7G Patreon: https://www.patreon.com/foundertales André Oliveira: https://www.linkedin.com/in/andreoliveiraa/ Pixelmatters: https://www.pixelmatters.com Álvaro Samagaio: https://www.alvarosamagaio.com Diogo Malafaya: https://www.malafaya.com Founder Tales LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/foundertales/ Founder Tales Instagram: https://www.instagram.com/foundertalespodcast/ Founder Tales Twitter: https://twitter.com/FounderTalesPod Founder Tales TikTok: https://www.tiktok.com/@foundertales