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Ep. 047·23 out 2023·79 min

Qual a diferença entre fundar um partido e uma Startup

com Rita Vilas-Boas

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Sobre esta conversa

Rita Vilas-Boas passou por laboratórios na Dinamarca, multinacionais como Procter & Gamble e L'Oréal, uma startup na China que vendeu a uma empresa australiana listada em bolsa, e projetos em Angola. Regressou a Portugal em 2017 para se dedicar a tempo inteiro a investimentos como business angel, e é hoje conselheira da Iniciativa Liberal, partido que ajudou a fundar.

O ponto de viragem foi a pandemia. Vilas-Boas estava a trabalhar em projetos pontuais quando decidiu parar e concentrar-se no que a motivava: criar valor através de investimentos e ideias políticas. Isso levou-a a co-fundar o Instituto Mais Liberdade, um think tank focado em literacia económica, e a assumir um papel ativo na governança da Iniciativa Liberal — não como mera acionista, mas como guardiã de processos e checks and balances.

Governance não é burocracia. Vilas-Boas distingue os dois termos com clareza. Numa multinacional como a Procter & Gamble, os processos atrasam decisões; numa startup na China, ela precisava de criar governança do zero. O ponto ideal não é eliminar processos, mas ter accountability sem asfixiar a velocidade. Uma reunião de board é um check-in estratégico simples: alguém propõe uma decisão (expandir para Itália, por exemplo), discute-se, e o CEO decide.

Investir é matemática, não instinto. Quando escolhe empresas para o seu portfólio, Vilas-Boas diz que prioriza as pessoas — e depois admite que se enganou várias vezes por não escutar esse instinto. Mas nega que seja algo místico: é aprendizagem acumulada que o cérebro processa depressa. No primeiro investimento significativo, uma residência universitária, o motivo foi simples — o sócio era amigo e ambos acreditavam no problema (falta de casas de estudantes a preços competitivos). Não havia modelo financeiro deslumbrante; havia pessoas, produto, paixão.

A comparação entre um partido e uma startup é mais literal do que parece. Ambos começam com uma ideia, uma equipa reduzida, e a necessidade de convencer muita gente sem produto à vista. A Iniciativa Liberal começou em flyers com sopas de palavras e mensagens simples — "cheque educação", "saúde para todos", "baixar impostos" — focando-se em digital e no que é fácil de entender. Agora com deputados, Vilas-Boas continua como conselheira justamente porque um partido "ainda é muito uma startup e pouco uma corporação", e precisa manter governança enquanto cresce.

Fundar um partido ou uma startup exige a mesma coragem para dizer em voz alta o que pensa — um traço que custou a Vilas-Boas posições e convites, mas que lhe permite dormir bem à noite.


Neste episódio de Founder Tales temos uma convidada que já vos deve ser familiar. Para além de Business Angel, a Rita é uma voz muito ativa na comunidade empreendedora e na política. Uma das fundadoras do partido Iniciativa Liberal, falamos sobre os desafios de fundar um partido politico versus os de fundar uma startup. Os desafios de ser mulher e ter de adotar uma postura mais assertiva e da filosofia de vida da Rita no que toca a novas aventuras.

Juntem-se à comunidade para poderem fazer perguntas aos convidados e para conversarem com mais malta que também gosta de ouvir Founder Tales às segundas feiras.

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