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Ep. 058·27 fev 2024·66 min

Como acabar a crueldade animal?

com Maria João Maia, Corium

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Sobre esta conversa

Maria João Maia é farmacêutica e cofundadora da Corium Biotech, uma startup que desenvolve couro de animais exóticos em laboratório. Trabalhou na Chanel e L'Oreal, fez doutoramento em biologia celular e molecular em Nice, e decidiu deixar o mundo corporativo para criar uma empresa que pudesse resolver um problema específico: a extinção causada pela caça furtiva de crocodilos.

A Corium começou em 2020, na UPTEC, com uma ideia testada na prática: se conseguiam reconstruir pele humana em três dimensões durante o doutoramento, podiam fazer o mesmo com células de crocodilo. O mote surgiu de uma visita a um parque natural na Flórida onde aprenderam que o maior causador da extinção de jacarés e crocodilos era a caça furtiva ligada ao alto valor das peles. Regressaram a Portugal com uma hipótese testada apenas em papelada — as primeiras recolhas e isolamentos celulares só aconteceram depois de receberem 100 mil euros da Portugal Ventures em 2020.

O maior desafio inicial não foi técnico: foi levantar dinheiro sem perder propriedade intelectual. Ao contrário de muitas startups de biotech que nascem como spin-offs de universidades e carregam negociações interlocutórias sobre patentes, Maia e a cofundadora Margot decidiram sair da universidade e correr riscos legais, sabendo que a propriedade intelectual seria impossível de defender num processo de manufatura secreto. "Temos muitas coisas que queremos manter em trade secret", explica.

Agora a Corium está a fechar a primeira ronda de financiamento — para escalar do laboratório para uma fábrica piloto que produza entre 20 e 50 metros quadrados de couro em 18 meses. O preço estimado ronda os 800 euros por metro quadrado, bem abaixo dos 1500 a 3000 euros de pele natural. Mas Maia não quer ser fornecedora: a ideia é vender tecnologia licenciada aos clientes, permitindo que cada marca customizador o produto. Já existe feedback de clientes interessados — incluindo marcas que ainda usam crocodilo — mas nenhum contrato fechado enquanto o produto não estiver validado.

Levantar capital é agora o gargalo. Maia fala de muitos investidores que entendem a ideia e o mercado, mas dizem "talvez mais tarde" — esse early stage é onde faltam decisões.


Este episódio conta com o apoio da Offcoustic. Mais informação em https://offcoustic.com

Neste episódio trazemos a Maria João Gonçcalves Maia, co-fundadora da Corium Biotech, uma startup que se dedica à bioproducção de couro de animais exóticos.

Edição: Gabriel Bueno (https://www.linkedin.com/in/gabriel-buenos/)

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