Como resolver o problema do Jornalismo
com Jenny Romano, The Newsroom
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Sobre esta conversa
Jenny Romano é cofundadora e CEO da Newsroom, uma startup de IA fundada em Lisboa em 2021 que agora trabalha principalmente com jornais britânicos. Italiana de origem, trocou Dublin pela cidade durante a pandemia; conheceu o cofundador Pedro numa business school em Paris. Ambos chegaram ao problema da desinformação por caminhos técnicos — ela via a monetização de informação na Google, ele estudava como as pessoas interagem com conteúdo na LinkedIn e depois na Salesforce.
A Newsroom começou como uma aplicação para leitores: analisava múltiplas fontes sobre o mesmo assunto, mapeava perspetivas e deixava o utilizador formar opinião informada. Durante dois anos, Jenny e Pedro faziam revisão manual diária de tudo o que o AI gerava. Mas em 2023, viram oportunidade noutra frente. Redações começavam a procurá-los para ajudar jornalistas a validar fontes e identificar perspetivas durante a pesquisa e edição. A tecnologia já existia; faltava apenas direcioná-la para quem pagava.
O pivô de B2C para B2B foi brutal e necessário. «Não temos força em B2C», admite Jenny. Pedro é um «data geek de AI»; ela passou carreira em B2B Sales. Tentaram construir um produto fora do seu domínio, gastaram energia, e ninguém na redação portuguesa tinha orçamento para ferramentas assim. Fora de Portugal — especialmente no UK — descobriu-se abertura maior a pilotos imperfeitosonde a IA é vista como experimental, não como ameaça.
A conversa toca em pontos duros: como moderadores de conteúdo não podem dizer o que é «direita» ou «esquerda» sem tomar partido; por que as redações têm incentivos perversos (cliques para sobreviver) mas jornalistas permanecem motivados por missão; como o futuro pode ser «menos jornalismo, com mais intenção» — menos dez mil artigos por dia, mais newsletters e investigações. Há espaço para um futuro híbrido onde IA escreve notícias factuais (preços, resultados, incêndios) e humanos fazem a arte. Nunca há resposta cómoda: o copyright da informação, a sustentabilidade do jornalismo, o papel das plataformas — tudo está aberto, amador e legal incerto.
Com três pessoas, sustentados por clientes UK e dois grandes grants, a Newsroom não tem pressa. Não procura venture; quer resolver o problema dos jornalistas primeiro, escalar depois. É uma aposta que faz sentido apenas se acreditares que a tecnologia sozinha não salva redações — mas jornalistas com ferramentas melhores, talvez sim.
Este episódio conta com o apoio da Bloq.it.
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Mais um episódio de Founder Tales - neste convidamos a Jenny Romano, co-founder da The Newsroom, para nos falar um pouco sobre os problemas que estão a tentar resolver no jornalismo atual.
São bem conhecidos e amplamente discutidos, os problemas que o modelo atual do Jornalismo tem - desde a competição por clicks e atenção até à velocidade absurda da desinformação.
A Jenny está a tentar combater isto com uma ferramenta que se baseia em Inteligência Artificial, para ajudar os jornalistas a escreverem notícias com maior qualidade, exatidão e senso de um possível enviesamento.
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