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Ep. 079·25 nov 2024·68 min

“Tive de emigrar para pagar as dívidas”

com Márcio Martins, Mobiweb

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Sobre esta conversa

Márcio Martins começou aos 18 anos com uma loja de material informático, faliu meses depois, trabalhou como vigilante no Auchan durante 5 anos, fez engenharia informática em pós-laboral enquanto ganhava 525 euros mensais, e é hoje CEO da Mobiweb. O seu percurso é menos um currículo de startup e mais um documentário sobre como se sobrevive.

Tudo começou cedo — aos 10 anos cortava cimento nas obras do pai. Aos 16, vendeu aspiradores. Aos 18, abriu uma empresa de reparação de computadores. O problema foi o stock: comprou material caro no Natal de 2006, viu computadores depreciarem em semanas, enfrentou concorrência brutal de grandes retalhistas com cartões de crédito (Worten, Media Markt), e ficou com dívidas que não conseguia pagar. «Caí na armadilha da ilusão de quem não tem experiência nenhuma a gerir», diz. Emigrou 4 meses para a Bélgica em 2007 para trabalhar e pagar credores.

A resiliência, porém, é o fio condutor. Voltou para a construção, depois para vigilância no Auchan — «de repente tive que confrontar pessoas, algo que raramente fazia». Manteve o trabalho enquanto fazia o exame de acesso ao ISEP (tirou 9,5 e tentou novamente). No ano zero, casou num sábado e estava de volta às aulas na segunda-feira. Engenharia Informática levou 3 anos, sempre a 40 horas por semana como vigilante, mudando turnos conforme as aulas. Teve a primeira filha durante o curso.

A MobiWeb nasceu quase por acaso. Em 2016, comprou uma casa em ruínas com os pais, revendeu com lucro. Com esse «primeiro bolo» de poupança, comprou um terreno com projeto aprovado e abriu uma empresa (ainda para construção). Mas enquanto era contractor na CellFox (2017-2022) já tinha ideias de apps. Recrutou estagiários com 2×2 metros de espaço alugado, apresentou o primeiro produto (um app para juntas de freguesia reportarem buracos) e começou a vender horas para a CellFox. Os referrals de clientes renderam. Mudou para full-time em 2022, agora com quase 30 pessoas.

O que o separa de muitos fundadores é a filosofia: «Primeiro relacionas, depois transacionas». Não há obrigação de ir ao escritório, mas 50% da equipa vai todos os dias. Paga viagens mensais para get-togethers nacionais. Mantém 2,5% de comissão para quem refere clientes. A chana reta (turnover) é baixa. Quando a Sky contactou para uma vaga em Roku, em vez de deixar a pessoa sair, ofereceu-a ao cliente e conquistou-a internamente.


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Mais um episódio de Founder Tales - neste convidamos o Márcio Martins, fundador da Mobiweb, uma referência na criação de aplicações móveis e que pretende expandir para outras áreas.

O Márcio contou uma das histórias de vida mais cativantes e impressionantes que tivemos em Founder Tales. Desde o primeiro trabalho, nada relacionado com tecnologia, até ao presente onde dirige a Mobiweb.

Para além da história, discutimos qual o futuro da Mobiweb e porque deve passar por AI - tal como as grandes limitações desta tecnologia e da maneira como funciona

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