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Ep. 083·30 jan 2025·40 min

De Founder a VC

com Carolina Amorim

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Sobre esta conversa

Carolina Amorim fundou a Emotai em 2018, uma startup de neurotecnologia que usava sensores EEG, PPG e IMU numa banda para detectar problemas de saúde mental através de padrões fisiológicos. Engenheira biomédica de formação, passou por Techstars em 2021 e levantou quase um milhão em funding antes de vender a empresa. Agora trabalha em operations na Faber, um fundo de capital de risco focado em Deep Tech.

O momento de viragem chegou quando a Emotai estava em due diligence para uma nova ronda de investimento. Carolina tinha planos A, B e C — o C era a empresa morrer. Quando um dos seus advisors apresentou um potencial comprador interessado no IP e na tecnologia, ela viu a oportunidade e avançou. O processo foi mais longo do que esperado, com meses passados em negociações de contrato. Desmontou a equipa (que tinha sete pessoas), ajudou todos a encontrar novo trabalho — isso era condição não-negociável — e, já em fase final de M&A, foi convidada a integrar a Faber.

Um dos aprendizados mais concretos que Carolina partilha é sobre a mecânica dos fundos de VC: um fundo tem 10 anos de ciclo de vida, mas os VCs só têm 5 anos para investir o dinheiro. Isto cria uma pressão brutal — se investires nos últimos 5 anos do fundo, tens apenas 5 anos para conseguir retorno para os LPs. "Se tu tivesses a ser investido nos últimos 5 anos de investimento, tens muita pressão para devolver, porque já só tens 5 anos", explica. É uma dinâmica que muda completamente o tipo de startup que um VC procura, consoante a fase do seu próprio fundo.

Outro ponto que marcou: os pivots. Carolina fez-os muito lentamente. A passagem dos atletas de alta performance para empresas maiores demorou meses, especialmente porque tinha grants ligados ao mercado de esports que a travavam. Hoje, teria pivotado mais rápido e provavelmente teria mantido apenas software, sem hardware. Também reconhece que levantar investimento cedo criou pressão desnecessária — acreditava que era obrigatório para qualquer startup, mas percebe agora que algumas deviam ter sido apenas pequenas empresas, sem runway de VC.

Agora, em operations de VC, ajuda startups em recrutamento, growth, métricas e conexões. O que mais valoriza nos founders é resiliência e equipa coesa — a Emotai tinha uma regra de não falar de trabalho à sexta-feira e reuniões de founders mensais sem trabalho. "Se tu gostas das pessoas com quem trabalhas, tens mais paciência", diz. E a lição final é simples: falhar é aceitável. Resiliência é o que fica.


Estamos de volta aos episódios com uma convidada que faz a segunda passagem pelo Founder Tales.

Carolina Amorim, antiga Founder da Emotai, uma startup que pretendia melhorar a saúde mental e a performance dos utilizadores, através de uma headband que mede dados biométricos.

A Carolina entretanto vendeu a Emotai e deu o salto para a Faber, um fundo de VC.

A responsabilidade dela é ajudar as startups investidas pelo fundo a terem sucesso em tarefas que ela própria já teve de fazer.

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