Porque precisamos de investimento de impacto?
com Nuno Brito Jorge, Goparity
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Sobre esta conversa
Nuno Brito Jorge trabalhou no Parlamento Europeu, depois na EDP, e fundou a GoParity em 2017 para resolver um problema básico: o dinheiro desalinhado de servir um propósito. Hoje dirige uma plataforma de crowdlending de impacto que movimenta dezenas de milhões em projetos verde e regenerativo.
A conversa arranca com uma questão provocadora — porquê precisamos de «investimento de impacto» se o dinheiro devia servir naturalmente a propósitos bons? Nuno argumenta que não é culpa da humanidade ser má, mas sim que o sistema criou incentivos perversos: ganhar dinheiro é mais fácil em coisas prejudiciais, e a sustentabilidade exige pensar a longo prazo numa economia orientada para o curto prazo. A energia solar demorou duas décadas a virar negócio sem subsídios; hoje é mais barata que qualquer alternativa. Isto não é ideologia — é física e economia.
A GoParity não é um banco tradicional nem um fundo de venture capital. Funciona como uma bolsa de crowdlending ético: tu escolhes financiar painéis solares numa fábrica portuguesa, aquacultura regenerativa na Colômbia, ou cooperativas de laticínios em Uganda. Cada projeto passa por due diligence tripla — números financeiros, viabilidade técnica, validação de impacto real. Nuno rejeita projetos que parecem bons à primeira vista mas carecem de integridade: energia solar num aviário sem política de bem-estar animal, por exemplo. Os loans têm garantias (equipamentos, avais), são rápidos (27-32 dias da proposta ao dinheiro) e rentáveis (média de 6% ao ano), com a vantagem de saber para onde vai o teu capital.
Mas há um elefante na sala. Trump, desregulação, os seis maiores bancos americanos a saírem da Net Zero Alliance das Nações Unidas, Meta a cancelar políticas de DEI. Nuno não nega o risco — há uma onda real de anti-sustentabilidade com poder político. Porém, defende que quem já tem preocupações não muda de camisola por pressão política, e que a Europa continua como «candeia» mesmo que enfraquecida. O ponto mais interessante: nem tudo depende de vontade. A China eletrifica por necessidade estratégica, não por consciência verde. Os bancos saíram da Net Zero porque era farsa — continuavam a financiar os piores poluidores. A mudança vem também de baixo, da tecnologia que fica mais barata. Energia solar começou com subsídios; acabou sendo a opção mais económica. Isso é inevitável.
Para quem procura colocar dinheiro em algo concreto — e que renda — a conversa oferece um modelo diferente do que se esperaria de finança ética: exigente, honesto sobre riscos, e convicto de que o impacto não é decoração — é o negócio.
Neste episódio falamos com o Nuno Brito Jorge, founder da Goparity. Os temas andaram à volta do investimento de impacto: o que é, porque é necessário e como podemos alinhar o sistema e incentivos financeiros com a sustentabilidade.
Ainda falamos sobre o futuro destas políticas que podem estar a ser abaladas pela nova presidência dos Estados Unidos.
Discutimos também o percurso que o Nuno fez desde fundar uma cooperativa de energia solar até à plataforma que tem hoje para as finanças de impacto - a Goparity
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