Blockchain é o futuro da Banca
com João Alves, Bleap
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Sobre esta conversa
João Alves é co-founder da Blip, uma aplicação de pagamentos baseada em blockchain que saiu da Revolut em 2023 para criar o que descreve como uma conta bancária — não apenas um cartão — que funciona inteiramente em stablecoins. Antes da Blip, trabalhou durante quatro anos em card payments na Revolut, desde 2019, começando numa empresa quase sem regulação (ainda era EMI) e ajudando a gerir contratos de dezenas de milhões de dólares.
A decisão de sair não foi impulsionada por frustração, mas pela perda de algo que o motivava: resolver problemas novos. Na Revolut, depois de alguns anos, «estava a resolver problemas que já não eram problemas». Paralelamente, João e Guilherme, seu co-founder, estavam a explorar DeFi como hobby pessoal — mexer com protocolos de finanças descentralizadas — e perceberam que havia ali um produto muito mais interessante de construir do que o que faziam profissionalmente.
A Blip opera de forma radicalmente diferente das exchanges centralizadas como Coinbase ou Kraken. Enquanto a Coinbase funciona como intermediário (tu compras Bitcoin na base de dados da Coinbase, não na blockchain), a Blip é uma interface de utilizador que não toca no dinheiro dos clientes. Quando carregas 100 euros, eles transformam-se imediatamente num stablecoin na tua carteira pessoal — não fica nos servidores da Blip. «O dinheiro está sempre do teu lado», explica João. Isto reduz drasticamente o risco regulatório e permite à Blip lançar em 150 países sem as licenças bancárias que a Revolut precisou. O FTX não teria acontecido assim: a Blip nunca detém fundos dos clientes.
O modelo de receita funciona em três camadas: primeira, a Blip ganha uma pequena margem nos interchange fees (o dinheiro que a Mastercard paga ao comerciante); segunda, quando colocas dinheiro num protocolo DeFi que paga 6-7% de rendimento (muito mais do que o 2-3% que um banco português oferece), a Blip negocia uma percentagem desse rendimento directamente com o protocolo — a Circle, por exemplo, paga-lhes agora uma parte das taxas de treasury yield simplesmente porque levam volume para lá; terceira, quando o utilizador faz especulação com outros tokens, há mais fees que podem ser capturadas. É uma aposta em que quanto mais gente usar a app, mais valiosa ela fica para os protocolos que geram esse rendimento.
Os dois meses para conseguir o primeiro «sim» de um investidor foram sofridos. João recebeu dezenas de «nãos» antes de iterar o produto — começaram a oferecer apenas uma API para wallets integrarem, mas perceberam que tinham de construir a experiência inteira eles próprios. Quando reposicionaram para «uma UI que resolve onboarding, spending e yield, tudo em stablecoins», o Nossos Lindo Invest disse sim. Agora têm 7000 utilizadores, estão em três continentes (com cartões Mastercard que oferecem 2% de cashback), e preparam-se para lançar em México, Brasil, Argentina e Colômbia — lugares onde aceder a dólares é politicamente complicado, mas stablecoins não. A aresta mais interessante do produto não é tecnológica; é que ele trabalha, pragmaticamente, dentro do sistema tradicional de pagamentos enquanto prova que fazer bancos sem bancos é possível.
Neste episódio trouxemos o João Alves, co-founder da Bleap, uma solução financeira que promete trazer as vantagens da Blockchain e Crypto para o dia-a-dia das pessoas.
O João explicou-nos por que razão a tecnologia pode ser uma solução para termos melhores serviços bancários e financeiros. Principalmente, quando assentes na tecnologia das stablecoins.
Também falamos sobre o seu percurso profissional que passou pela Revolut e pela cultura da empresa
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