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Ep. 104·4 ago 2025·87 min

Criar e gerir o maior fundo de investimento em Portugal

com Eduardo Piedade, Bright Pixel (grupo Sonae)

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Sobre esta conversa

Eduardo Piedade começou na Sonae em 2001 como estagiário depois de abandonar uma carreira de futebol semi-profissional no Porto. Passou 20+ anos no grupo, acumulando responsabilidades em retalho, operações internacionais e corporate strategy, até liderar a criação da Bright Pixel — o maior fundo de venture capital português, com 200 milhões em capital. Hoje é Managing Partner de um fundo evergreen que investe em tecnologia, retalho e cibersegurança.

O primeiro grande projeto de Piedade foi preparar a venda da operação brasileira da Sonae entre 2005 e 2011. Aos 25 anos, integrou uma equipa de quatro pessoas encarregue de montar um data room completo e negociar contra a Walmart e a Goldman Sachs — sem banqueiros do lado português. O processo levou seis meses, não um mês como previsto, mas entregou 650 milhões em cash que permitiram a aquisição do Carrefour em Portugal. Piedade aponta este batismo pelo fogo como o elemento que mais moldou a sua carreira: aprendeu a lidar com ambiguidade extrema, a confiar em improviso estruturado e a escalar responsabilidade muito cedo.

A Bright Pixel nasceu em 2016 de uma constatação simples: depois da crise de 2011, o grupo Sonae tinha capital e vontade de entrar em tecnologia, mas nenhuma experiência de venture capital. Piedade juntou uma equipa interna (telecomunicações, retalho, holding) e apresentou um pitch direto: investir em scale-ups de Series A e B com contacto direto (não via fundos terceiros), três verticais concretos (retalho com IA, cibersegurança, tecnologia para telecomunicações) e um evergreen fund de 200 milhões sem prazo de liquidação. O modelo prova-se porque permite recusar rodadas sobreaquecidas e manter flexibilidade de alocação, coisa impossível num fundo tradicional de dez anos com 50 milhões levantados. Piedade enfatiza que o melhor investimento surge quando o mercado está frio, não quando toda a gente aperta o gatilho.

No tabuleiro hoje estão investimentos em dezenas de empresas, alguns com saídas bem-sucedidas (cibersegurança em 2021), outros ainda em gestão de portfólio. Piedade defende que o papel do investor não é dar dinheiro — é criar condições para que o fundador veja problemas de ângulos novos, abra portas e resista à pressão de curto prazo. O diferencial da Bright Pixel é vir de corporate e compreender necessidades reais; o risco é precisamente esse, confundir experiência em grandes grupos com o ritmo alucinante das startups.

Ao longo de quase duas horas, Piedade volta várias vezes a um tema: o acaso e a sorte não são livres de preparação. Ter sido lançado a um desafio absurdo aos 25 anos criou o conforto com ambiguidade que depois se revelou crítico em venture capital. Quando saiu do MBA em 2008 (ano de Lehman), podia ter ido para consultoria ou banca — escolheu voltar para a Sonae porque viu nela mais complexidade do que em qualquer grande corporação britânica.


Neste episódio de Founder Tales falamos com o Eduardo Piedade, CEO da Bright Pixel, o fundo de investimento VC do grupo Sonae.

O Eduardo fez a sua carreira inteiramente na Sonae, onde teve a oportunidade de crescer e de ser colocado em posições de alta responsabilidade. Conseguiu fazer um MBA e voltar para uma posição relevante na Sonae — de onde nasceu a Bright Pixel — o fundo de investimento.

A Bright Pixel é talvez o maior fundo VC em Portugal e é um Evergreen fund, ou seja, um fundo que tem sempre dinheiro para investir. Exatamente por estar ligado ao grupo Sonae e não depender do processo de fundraising com Limited Partners (a estrutura de um fundo tradicional). Isto traz alguns desafios de gestão que os outros fundos não têm.

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