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Ep. 105·18 mai 2026·64 min

Afinal quantos Unicórnios tem Portugal?

com Alexandre Santos, Presidente da Startup Portugal

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Sobre esta conversa

Alexandre Santos é presidente da Startup Portugal desde há pouco mais de um ano, uma associação sem fins lucrativos de utilidade pública que coordena a política de apoio a startups em Portugal. Antes disso, foi investidor anjo e depois venture capitalist na Chamaeleon, onde gere um portfólio de 26 investimentos. Começou a investir em startups há 15 anos, quando era possível fazer uma lista de 50 nomes em Portugal inteiro.

A Startup Portugal nasceu há dez anos, na sequência do Web Summit em Lisboa, com o objectivo de representar um ecossistema inteiro — não é incubadora nem aceleradora, mas gere uma rede de 146 incubadoras e aceleradoras espalhadas pelo país. Em 2022, o Portugal aprovou a Lei das Startups, que pela primeira vez permitiu distinguir formalmente uma startup de uma PME ou scale-up usando o NIF. Isso abriu portas para benefícios fiscais específicos (como descontos de 50% em impostos sobre stock options), mas Santos diz que é apenas o primeiro passo.

O grande desafio que Santos identifica é a falta de investimento privado em fase pre-seed. Enquanto há dez anos se investiam 50 milhões por ano em startups portuguesas, agora investem-se 500 milhões — mas ainda há poucos business angels novos a entrar no mercado. A solução que defende é não dar subsídios directos, mas criar condições para que dinheiro privado seja alavancado com fundos públicos (via matching ou outros mecanismos). Quanto à métrica de sucesso: Portugal tem oficialmente registadas 5 mil startups. Santos quer chegar a 15 mil em três anos, porque cada euro investido numa startup gera um efeito multiplicador de cinco na economia.

Na Chamaeleon, o seu foco é claro. Enquanto a maioria dos VCs apostam em startups que usam IA para fazer produtos, Santos investe na infraestrutura subjacente — empresas como DeepInfra, que permite a outros correr modelos de inferência ao preço mais baixo possível. É a tese da corrida do ouro: vende-se a picareta, não o ouro. A razão é simples: a concorrência no nível de aplicações será feroz, mas ferramentas que resolvem problemas estruturais terão margens melhores. Mesmo assim, admite que o futuro é incerto — modelos abertos e locais podem commoditizar a IA, ou dois ou três players megafortes (OpenAI, Anthropic, talvez Google) podem reter tudo. Provavelmente vai-se assistir aos dois cenários em paralelo.

O que mais o irrita no trabalho na Startup Portugal é a contratação pública portuguesa: um sistema anacrónico, desconfiado, que exige tantos papéis que desestimula a velocidade e a boa fé nos negócios. Mas há uma ideia que o deixa acordado à noite: Portugal não incentiva as empresas a investirem em investigação e desenvolvimento ou em capex local. Não há benefício fiscal para reinvestimento de lucros. Por isso, uma startup que levanta cinco milhões é indiferente entre pagar recursos humanos em Portugal ou noutro lado — deveria haver incentivo para ficar cá.


Portugal tem talento, tem infraestrutura e tem ambição, mas o que nos falta para dar o próximo salto? Neste episódio, sentámos com Alexandre Santos, Presidente da Startup Portugal, para fazer um ponto de situação do ecossistema: o que evoluiu, o que ainda trava, e onde estão as oportunidades reais.

Falámos sobre o papel das incubadoras, o impacto transformador da inteligência artificial nas empresas portuguesas, e o que é preciso para que, mais do que um caso de estudo, Portugal seja um player global.

⏱️ Capítulos

0:00 Intro1:28 O que é a Startup Portugal3:54 A Lei das Startups e o reconhecimento oficial7:11 Três eixos de atuação e a Rede Nacional de Incubadoras9:53 Falhas de mercado no pre-seed15:26 Sete unicórnios e o impacto real na economia20:22 A meta das 15 mil startups26:01 AI democratiza a criação mas aumenta o ruído29:39 A tese da Chamaeleon: infraestrutura em vez de aplicações42:36 Apple, hardware e a corrida do AI45:41 Ser investidor prepara-te para gerir uma associação?48:45 O horror da contratação pública54:01 Incentivos ao reinvestimento: a medida que falta1:00:10 Como manter pessoas motivadas numa associação sem fins lucrativos1:01:09 Conselho ao governo: diplomacia económica a sério

🔗 Alexandre SantosLinkedIn: https://www.linkedin.com/in/antscv/Startup Portugal: https://startupportugal.com

🎙️ Founder TalesO podcast sobre empreendedorismo em português — histórias reais, lições concretas, sem filtros.

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👥 Créditos

Apresentação e Produção: Diogo Malafaya & Álvaro SamagaioCaptação: PCI – Parque de Ciência e InovaçãoEdição de Vídeo: kmedia.com.ptSocial Media Assets: Marta ValenteBranding & Animation: Vogal

🤝 Temporada em parceria comStartup Portugal

Com o apoio dePME MagazinePCI – Parque de Ciência e Inovação

Este projeto é financiado pela República Portuguesa através dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) no âmbito do programa de apoio à transição digital. O conteúdo desta publicação é da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não reflete necessariamente a posição ou opinião das entidades financiadoras.

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