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Episódio 107Temporada 61 jun 202661 min

O produto que deteta 99% das crises de epilepsia

com Vicente Mayer Garção, Co-fundador da Lampsy Health

Sobre esta conversa

Vicente Garção é engenheiro formado no Técnico com mestrado em Engenharia Médica, onde começou a investigação sobre detecção automática de crises epilépticas. Transformou esse trabalho académico numa startup — a Lampsy — que desenvolveu um dispositivo de vigilância noturna disfarçado de candeeiro. Está agora em fase de comercialização na Europa, com aprovação regulatória de classe 1 como dispositivo médico.

A razão de ser um candeeiro, não um wearable, é simples: 37% das pessoas que usam pulseiras de monitorização abandonam o dispositivo. Metade dos epilépticos sofre estigma social, 30% têm autismo, e muitos têm deficiências sensoriais que tornam impossível usar algo no corpo. Uma câmara numa lâmpada passa despercebida e funciona durante o sono. Lampsy valida isto com surveys e testes com utilizadores reais — escolheram o candeeiro porque "é algo que teria em casa de qualquer forma".

O produto tem dois números que definem o seu valor. Noventa por cento das crises epilépticas à noite passam despercebidas aos pais e cuidadores — é o problema. O Lampsy detecta movimentos anómalos e envia alertas em tempo real, com uma taxa de verdadeiros positivos de 99% e apenas um falso alarme a cada 90 noites. Para comparar: os wearables têm um falso alarme por dia. Baixar falsos alarmes é crucial porque um aviso falso por dia destrói a confiança no sistema.

O modelo de negócio é B2B2C: recomendação médica, compra individual, e seguradoras pagam. Mas há um ângulo menos óbvio com farmacêuticas. Nos ensaios clínicos de medicamentos para epilepsia, a métrica é quantas crises ocorrem. Hoje as pessoas usam diários manuscritos que ninguém completa — e 86% das crises passam despercebidas mesmo assim. Lampsy oferece dados objetivos, reduzindo o número de pacientes necessários por ensaio, o que custa milhões menos. É uma entrada poderosa no mercado que ninguém estava à espera.

Garção mostra lucidez na gestão da equipa: rejeita a cultura de 996 (nine-to-nine, six days a week) comum em startups, defende feedback horizontal e iteração rápida no software — o hardware é uma câmara, muda pouco. Tem 5 mil pessoas na waiting list, parceria com hospitais em Lisboa, Espanha e Alemanha, e um investimento recente do ESIC Accelerator e optical ventures. Lança na Europa em agosto, depois aponta aos Estados Unidos com regulação FDA de classe 2. É uma história de como escutar utilizadores reais muda tudo — até a forma do produto.


Vicente Mayer Garção é cofundador da Lampsy Health, uma startup de healthtech que nasceu no Instituto Superior Técnico a partir de uma necessidade clínica concreta: 86% das crises de epilepsia à noite passam despercebidas. O que começou como projeto de mestrado em Engenharia Biomédica transformou-se numa empresa que desenvolve um candeeiro capaz de detetar movimentos anómalos durante o sono e alertar cuidadores em tempo real.

Ao contrário da maioria das soluções no mercado — wearables que sofrem de taxas de abandono altíssimas —, Vicente e a sua equipa apostaram num dispositivo invisível, integrado naturalmente no quarto. O candeeiro processa tudo localmente, protege a privacidade por design e reduz os falsos alarmes de um por dia para um a cada 90 noites. Neste episódio, Vicente explica como validaram o formato junto de famílias e médicos, navegaram a produção de hardware entre Portugal e Hong Kong, obtiveram certificação como dispositivo médico classe 1, e equilibram investigação académica com execução rápida numa startup de apenas seis pessoas.

Da gestão horizontal à escolha deliberada de não trabalhar 24/7, passando pela angariação em curso e pelos primeiros testes de pré-venda, esta é uma conversa sobre construir deep tech para um problema real, sem hype e com muito rigor.

Capítulos

0:00 Intro
0:54 O que é a Lampsy Health
2:19 Porque um candeeiro e não um wearable
5:12 Validação com utilizadores e privacidade
8:12 Modelo de negócio e canais de venda
13:11 Falsos positivos vs. falsos negativos
18:17 Da universidade para startup
28:59 Produção de hardware: moldes, China e custos
38:30 Regulamentação e certificação médica
52:36 Hospitais, waiting list e primeiros clientes
57:27 Conselho: falar com outros founders

O conselho final

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“Maximizem falar com outros founders. São pessoas que já passaram… Já tiveram muitos dos mesmos problemas.”

Fala com outros founders, sobretudo no início. Já passaram pelos mesmos problemas e ajudam-te a afinar o pitch.

Ver este momento no YouTube, aos 57:57 ↗

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