O teu próximo recrutador pode ser um Bot
com Ana Neto, Founder da OneShot e co-founder da W35
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Sobre esta conversa
Ana é founder técnica da OneShot, uma startup de screening de recursos humanos com IA, e co-fundadora da W35, comunidade para mulheres founders em fase inicial. Antes disso, passou cinco anos numa agência de software própria — experiência que lhe trouxe rigor operacional mas deixou a lacuna de nunca ter construído um produto escalável. O MBA veio depois, deliberadamente, para colmatar essa confiança que sentia que lhe faltava.
A OneShot nasceu de um problema concreto: um colega contratando um junior developer recebeu 300 candidaturas em 24 horas. Ana ajudou na triagem manual e percebeu que cinco minutos de conversa revelavam mais sobre a atitude de um candidato do que um CV inteiro. Daí surgiu a ideia de automatizar esse momento inicial com um desafio em vídeo gravado, onde um assistente de IA constrói questões personalizadas para a vaga e avalia a resposta do candidato.
Viés e transparência. A abordagem da Ana para mitigar o enviesamento dos modelos é deliberada: o vídeo não é usado na classificação, apenas a transcrição. Não há detecção de género ou de características físicas. Um dos primeiros pilotos revelou-se decisivo — uma empresa de mobiliário onde a responsável de contratação confessou que queria "mesmo um homem". O software devolveu 80% de candidatas no topo; acabou por contratar uma mulher. "Às vezes a IA tira os nossos vieses", diz Ana, "que nós nem estamos conscientes que temos."
Vendas como aprendizagem. O Web Summit trouxe contactos, mas pouco sucesso real. Ana ficou com "muito ruído e pouco sumo" — uma lição sobre a diferença entre networking e pipelines. Agora trabalha com pilotos concretos (uma agência nas Filipinas tem sido "espetacular" no feedback), e está a construir uma estratégia de vendas B2B que combina pesquisa rigorosa sobre entrevistas com dados de cada caso que passa pela plataforma. Reconhece que vendas é a sua zona de desconforto — é mais técnica, gosta mais de estar "atrás do computador" — mas sabe que tem de sair dessa confortável posição.
A comunidade W35. Nasceu de um vazio que Ana sentiu: depois do MBA em Lisboa, cercada de mulheres ambiciosas, voltou ao Porto e percebeu que faltava esse tipo de espaço. Com Sofia e Beatriz, criou um programa para mulheres founders e mulheres que querem sê-lo — não para técnica pura, mas para confiança, postura, presença em salas mistas ou dominadas por homens. Hotspots semanais online onde apresentam ideias, roundtables, workshops, mentoria. Tudo ainda gratuito, porque acreditam que o valor está na conexão, não na transação.
A marca é algo que Ana descobre que gosta genuinamente de fazer — "sentar e emprestar um conceito, como é que vamos fazer as pessoas ficar excited com o projeto". Os bagels foram o teste dessa competência: 60 euros em anúncios no Instagram, vídeos de TikTok, sold-out em três horas. Ela sabe que o que move as pessoas não é o produto — é a história, a pessoa, a razão pela qual aquilo existe.
Ana Neto é fundadora da OneShot, uma startup que usa inteligência artificial para automatizar o screening de candidatos em processos de recrutamento, e co-fundadora da W35, uma comunidade focada em mulheres empreendedoras. Com um percurso pouco convencional — formada em biologia, aprendeu a programar sozinha e abriu uma agência de software aos 22 anos — Ana decidiu fazer um MBA para estruturar o conhecimento que lhe faltava antes de criar a sua própria startup.
A OneShot nasceu de uma necessidade concreta: ajudar um amigo a filtrar 300 candidatos para uma posição júnior. O produto usa AI agents para conduzir entrevistas em vídeo assíncronas, analisar respostas e gerar relatórios detalhados sobre cada candidato — tudo sem acesso ao vídeo ou ao áudio, apenas ao transcript, para mitigar vieses. Ana fala de como validou a ideia com pilotos, das dificuldades de construir uma pipeline de vendas B2B sendo uma founder técnica, e da procura por um co-fundador que complemente as suas competências.
Pelo meio, há também uma loja de bagels — um projecto paralelo que começou como teste de marketing e que pode vir a tornar-se num negócio físico. Ana fala ainda da importância de criar ambientes acolhedores para jovens fundadoras, da pressão de fazer tudo sozinha, e de como aprendeu a ouvir conselhos sem se deixar paralisar por eles.
Capítulos
0:00 Intro
1:10 A loja de bagels no Porto
4:09 Como validar uma ideia com um pop-up
6:52 Da agência de software à OneShot
13:09 Como funciona o screening com AI
20:10 Garantir que o modelo não tem vieses
23:32 Procurar um co-founder e construir vendas B2B
34:26 Criar uma comunidade para mulheres fundadoras
42:46 Brand management e marketing
45:28 Conselho final