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Ep. 111·15 jul 2026·35 min

Female founders recebem só 2% de todo o investimento

com Sofia Correia de Sousa, Board member da ANJE, fractional leader na HappyFact e co-founder da W35

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Sobre esta conversa

Sofia Correia de Sousa é fractional leader na HappyFact, board member da ANJE e co-founder da W35, uma comunidade focada em jovens fundadoras e fundadoras em primeira experiência. O seu percurso passou por trabalhar como freelancer, criar agência própria, e agora distribuir-se por várias iniciativas que se alimentam umas das outras — uma característica que ela identifica como típica de mentalidade founder.

A entrada no board da ANJE aconteceu por convite direto do presidente da altura, Carlos. Sofia já era sócia e frequentava os espaços de incubação da organização quando foi abordada. Aceitou porque os planos que lhe foram apresentados alinhavam com o seu compromisso com empreendedorismo jovem. Como board member, participa em decisões estratégicas e apoia a equipa executiva, facilitando programas que levam empreendedorismo a escolas e criando iniciativas de capacitação para jovens.

O que é fractional leader. O termo ainda é recente em Portugal. Não é consultoria, nem interim, nem trabalho a tempo parcial — é uma pessoa que presta um serviço de liderança (tipicamente Head of ou C-level) sem contrato de trabalho exclusivo. Sofia descreve-o como alguém que tem "um pé dentro e outro fora da empresa". A HappyFact funciona como uma comunidade de fractional leaders que trabalham com startups e scale-ups em fases de crescimento acelerado, geralmente entre 12 e 18 meses. O modelo resolve um problema concreto: contratar um CMO a tempo inteiro na Europa custa facilmente 750 mil euros por ano. Fractional oferece expertise sem esse custo, com flexibilidade se os objetivos mudam — o que acontece constantemente em startups.

Por que existe risco em contratar full-time. Sofia levanta três problemas principais. Primeiro, a dificuldade em despedir um executive em caso de mau encaixe — especialmente na Europa, onde os custos de rescisão são elevados. Segundo, pessoas que não entregam podem estar anos na empresa enquanto custas dinheiro. Terceiro, startups mudam constantemente, e um líder contratado para uma função X pode ver essa função desaparecer. Com fractional, há mais flexibilidade para adaptar quando o contexto muda.

W35 e o défice de fundadoras. A comunidade W35 nasceu porque Sofia, Ana e Bia (as três co-founders) perceberam que muitas das perguntas que recebem — como levantar investimento, estruturar OKRs, decidir entre bootstrapped ou levantar ronda — eram repetidas. O foco em mulheres jovens não é exclusão, mas reconhecimento de um números: apenas 2% do investimento de VCs vai para mulheres fundadoras em Europa; menos de 0,01% para jovens mulheres. A comunidade tem mentores de ambos os sexos e eventos abertos, mas mantém um núcleo de apoio específico.

A conversa revela como Sofia vê estas três iniciativas não como tarefas separadas, mas como um sistema: aprende na HappyFact, aplica na ANJE, alimenta a W35 com realidades concretas que observa. Essa dinâmica é, para ela, inegociável.


Sofia Correia de Sousa é board member da ANJE, fractional leader na HappyFact e co-fundadora da W35. Aos 20 e poucos anos já teve a sua própria agência, trabalha com startups há sete anos e divide o seu tempo entre vários projectos em simultâneo — sem ser freelancer, sem ser consultora, mas também sem contrato fixo.

Nesta conversa, Sofia explica o que é ser fractional leader — uma função de liderança (CMO, head of growth, CGO) prestada a startups durante 12 a 18 meses, com um pé dentro e outro fora da empresa. Discutimos porque é que cada vez mais scale-ups preferem este modelo a contratar full-time, os riscos de contratar a pessoa errada para C-level, e como é que ela gere três projectos principais ao mesmo tempo. Falamos também do trabalho que faz na ANJE — desde programas nas escolas a apoios pouco conhecidos do Estado —, da falta de comunicação à volta de recursos para empreendedores, e da W35, a comunidade que criou com Ana e Bia para young women founders e first-time founders.

Uma conversa sobre liderança adaptável, mindset de fundador e como distribuir tempo quando não se consegue estar quieto.

Capítulos

0:00 Intro
1:03 Como chegou ao board da ANJE
2:55 Programas de empreendedorismo que ninguém conhece
4:51 O que faz a ANJE além das quotas
7:12 Ir às escolas muda alguma coisa?
12:29 O que é ser fractional leader
18:52 Porquê contratar fractional em vez de consultora
25:42 Como percebeu que queria ser fractional
29:52 W35: comunidade para women founders