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Episódio 114Temporada 617 ago 202669 min

Pivotar para manter a equipa motivada

com Mário Ribeiro Alves, Co-founder e CEO da LayerX (ex-Taikai)

Sobre esta conversa

Mário Ribeiro Alves volta ao Founder Tales quatro anos depois da primeira conversa, gravada por Skype na primeira temporada. Na altura era CEO da Taikai, uma plataforma de hackathons muito ligada ao ecossistema Web3. Entretanto a empresa comprou outro produto, passou a usar a marca LayerX e mudou de rumo: hoje o foco é desenvolver soluções de AI para outras empresas.

O pivot não foi uma decisão de um dia para o outro. Em 2024 o mercado cripto praticamente desapareceu para as startups, e a motivação da equipa, incluindo a do próprio Mário, caiu com ele. Ao mesmo tempo, a equipa já usava Claude no dia a dia e tinha construído internamente um agente de apoio ao cliente e mentores de AI para hackathons. Com os investidores fez o contrário do que tinha feito como first-time founder: primeiro provou que funcionava, com clientes a pagar, e só depois pediu para seguir por esse caminho.

Neste momento a LayerX vende sobretudo serviço. Mário cita a tese da Sequoia de que, por cada dólar de software, há seis de serviço por capturar, e explica porque é que o alvo não são empresas tecnológicas, mas sim sectores como a indústria, que não vão montar uma equipa de AI interna. Os pedidos mais comuns são agentes para apoio ao cliente e para vendas. A seguir vêm os assistentes pessoais, que a LayerX vai dar a toda a equipa antes de os vender, e os modelos locais, para empresas preocupadas com custo e privacidade. A versatilidade vem do ADN dos hackathons: o VP of Engineering foi contratado depois de ganhar o primeiro hackathon que organizaram.

A conversa passa pelo stack pessoal do Mário (do OpenClaw a uma solução própria com Claude Code e Hermes Agent, alojada por cinco dólares por mês) e pela Amália. A LayerX lançou a primeira interface pública para o modelo, a correr numa máquina própria. Mário acha que o modelo ainda não está lá, mas defende que os 5,5 milhões não foram desperdício: a Europa tem de gastar em AI para não ficar refém dos Estados Unidos e da China. Para Portugal, imagina mini data centers espalhados pelo país em vez de um único centro gigante.

O conselho final: distinguir o que é hype do que resolve problemas reais, adaptar-se depressa e deixar o ego de lado. Ser "adiantado mental" mata uma startup tanto como chegar tarde.


Mário Ribeiro Alves é co-founder e CEO da LayerX, antiga Taikai, uma empresa que começou por organizar hackathons e desenvolver produtos para o ecossistema Web3. Em 2024, com o mercado cripto praticamente inexistente para startups, Mário e a equipa pivotaram para AI. Não de um dia para o outro, mas através de um processo natural em que a própria equipa começou a adoptar AI agents internamente.

Nesta conversa, Mário explica como comunicou a transição aos investidores (provando primeiro que funcionava, com clientes a pagar), como montou a infraestrutura de agentes da LayerX, e qual é o verdadeiro business case dos assistentes pessoais e agentes empresariais. Falámos também de modelos locais, da Amália, da polémica à volta do projecto, e de uma visão para mini data centers espalhados por Portugal.

Capítulos

0:00 Intro
1:16 De Taikai para LayerX
4:20 O mercado Web3 desapareceu
5:19 Como comunicar o pivot à equipa
9:14 O papel dos shareholders na mudança
10:39 Serviços em vez de produto
15:03 Agentes para empresas
21:12 Modelos locais e o futuro da AI
28:19 O que é o OpenClaw e assistentes pessoais
37:37 Business case de agentes na empresa
50:14 Mini data centers em Portugal
54:39 A Amália: polémico ou necessário?
1:00:28 Web3 e AI vão convergir?
1:06:09 Conselho: não sejas adiantado mental

O conselho final

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“O importante é tentar perceber o que é que é hype e o que é que não é hype. O que é que realmente resolve um problema e o que é que não resolve um problema.”

Separa o hype do que resolve problemas reais. E adapta-te depressa, com o ego de lado, porque o que faz sentido hoje pode não fazer daqui a seis meses.

Ver este momento no YouTube, aos 1:06:18 ↗

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